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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

balaiada

Histórias de um Brasil longínquo, normalmente reservadas aos livros escolares, tem sido inspiradoras para a criação de bons exemplares de histórias em quadrinhos. Exemplos recentes são os álbuns Os brasileiros, de André Toral, que narra em pequenas histórias a saga indígena no Brasil colonial, ou O Cabeleira, de Leandro Assis e Hiroshi Maeda, biografia do personagem homônimo, um dos primeiros bandoleiros nordestinos, temido anos antes de Lampião.

São, em sua maioria, narrativas inspiradas em fatos verídicos que, ao serem transportadas ao universo dos quadrinhos, ganham aura de aventura e tornam-se atrativas mesmo a leitores pouco familiarizados com o estilo. Recém lançado, o livro Balaiada – A Guerra do Maranhão (Dupla Criação, 82 págs) entra neste pacote e é resultado de um projeto concluído a seis mãos. Com roteiro do historiador Iramir Araújo e ilustrado por Ronilson Freire e Beto Nicácio, narra a eclosão da Balaiada, movimento popular que mobilizou homens livres e escravos contra a chamada Lei dos Prefeitos, na então província do Maranhão, em 1838. Lutavam, sobretudo, contra o abuso de poder escravocrata das classes políticas locais. Foram derrotados, após anos de combate com soldados da corte imperial, e seus líderes presos ou assinados.


Os quadros em preto e branco, que narram disputas e batalhas com precisão, foram divididos entre os desenhistas. Apesar de semelhantes, é possível perceber e comparar a diferença de traços entre Freire e Nicácio.
quinta-feira, 16 de julho de 2009

copacabana*

“Copacabana é aquele bilhete que você, totalmente de ressaca, encontra no bolso da calça de manhã. O bilhete da garota com quem você trombou ontem numa festa. E você sabe que ela é encrenca (...)”.

Com estas palavras Mário Bortolotto apresenta o álbum Copacabana (Ed. Desiderata, R$40, 200 págs), desenhado por Odyr e roteirizado por Lobo, ambos remanescentes da revista Mosh. No livro, o submundo do famoso bairro carioca é tratado com sinceridade. Prostituição, drogas e crimes dão o tom da narrativa, apresentada em imagens em preto e branco, tão borradas e agitadas como as próprias personagens.

No enredo, a prostituta Diana é conhecida no calçadão do bairro. Usa o xaveco de sempre pra conseguir clientes. E diz pra mãe que é enfermeira. Labuta diária e forte, que se torna ainda mais dura quando ela se envolve, não diretamente, no assassinato de um gringo cheio da grana. Mas, no meio da confusão, ainda sobra tempo pro amor. Como ela consegue?

Na cidade que é fantasia, o cartão postal oferece sexo, drogas e samba. Lobo e Odyr oferecem ao leitor muito mais. Um olhar direto sobre uma realidade que existe nas esquinas daqui ou de lá. Existe, mas passa despercebida por aqueles que dormem antes da meia noite e não ouvem o barulho das sirenes ou não vêem o piscar dos neons dos night clubs.

No baixo Augusta, em São Paulo, em Copacabana, no Rio, ou nos red lights districts ao redor do mundo, existem centenas de Dianas. E cada uma delas, com uma história pra contar. A dupla sabe disso e se inspirou para traduzir, de maneira coerente, esse universo de diversão e sofrimento. Se Copacabana, o bairro, é encrenca, Copacabana, o livro, é prazer. Ou vice-versa?


* Coluna originalmente publicada no site Impulso HQ
quarta-feira, 1 de julho de 2009

diário de um banana 2 *

* Texto publicado orinalmente no site Impulso HQ. Agora tenho uma coluna semanal lá tbm!


Esta semana quero falar de um livro bem divertido. Não chega a ser uma história em quadrinhos, mas é como se fosse. Diário de um Banana (Ed. V&R, 224 págs. R$ 32) já está em sua segunda edição no Brasil e é um mistura inteligente e bem humorada de HQ com diário, escrita e ilustrada pelo americano Jeff Kinney.

A personagem principal é Greg Heffley, um garoto magrelo que é um daqueles geeks perseguidos no colégio. Cada livro se passa em um ano da escola. Greg só tem um amigo, o Rowley, que ele praticamente despreza. Mas, fazer o que? É o único que ele tem!

Por meio das anotações e desenhos feitos em seu diário, conseguimos entender o que se passa na cabeça de um adolescente que, praticamente sozinho, tem que enfrentar essa fase tenebrosa.

O tema pode parecer batido, mas Greg tem umas sacadas boas. Consegue enxergar seu ambiente com esperteza, sem deixar a ingenuidade de lado. Os desenhos de Kinney são praticamente amadores e se encaixam perfeitamente na estrutura de diário proposta por ele.

Este segundo volume, que chegou este mês às livrarias, tem um coadjuvante de peso. É o Rodrick, o irmão mais velho do Greg, que – óbvio – é um puta mala. Daqueles que é melhor ter como inimigo. O problema é que o Rodrick descobre um segredo do irmãozinho e vai cobrar caro pra manter a discrição.

No Brasil, a série está um pouco atrasada, já que nos Estados Unidos ela se encaminha pra quarta edição. Mas no site do autor dá pra acompanhar um blog e saber de outras novidades relacionadas ao personagem.
Risadas garantidas!