quinta-feira, 14 de outubro de 2010
A arte essencial de Leon Ferrari
As 35 obras que compõem a exposição mostram um lado mais sereno de Ferrari. São contrárias às polêmicas esculturas e instalações de forte mensagem política. Em folhas de papel de tamanhos diversos, o artista trabalha finas linhas de tinta ou giz de cera que remetem a alfabetos imaginários ou trabalham a repetição de séries contínuas. Produzidas ao longo das últimas quatro décadas, estas obras mantêm unidade e apresentam a firmeza de um traço delicado, ao mesmo tempo, imperativo. “Pela força e criatividade, estas obras de Leon parecem sempre feitas por um jovem e não por um homem hoje com 90 anos”, comenta a curadora da exposição, Sabina de Libman.
Acostumado a lidar com os mais diversos materiais, incluindo orgânicos, Ferrari produziu este ano peças onde substitui a caneta nanquim ou o giz por uma espécie de cola com glitter. Faz assim transparecer um caráter lúdico, ao mesmo tempo em que mantém a ordem de desenhos e texturas utilizadas nas últimas décadas. “Ele tem esse lado suave e carinhoso. Sua outra persona exteriorizada é a da revolta”, diz a curadora.
Esta porção rebelde faz a produção do artista ser plural e articulada. Por um lado, traços detalhados e escritos cuidadosos tomam conta de seus cadernos de anotação, telas e papéis. Ao mesmo tempo, o artista produz algumas das mais importantes obras de apelo político. São da década de 1960 e 1970 seus trabalhos de caráter polêmico, como A Civilização Ocidental e Cristã (1965), onde substitui a cruz de Cristo por um avião de caça das Forças Armadas norte-americanas, sua primeira obra de apelo crítico visível. Nas décadas anteriores, focava-se em paisagens a óleo ou pastel sobre madeira (como Alicia, de 1947) e esculturas de cerâmicas ou madeira. Quando começou o processo de mudança temática, realizou alguns manuscritos sobre a problemática religiosa, mas ainda pouco compreensíveis.
A série Idéias para Infernos foi apresentada em 2000, no Centro Cultural da Espanha, em Buenos Aires. Nela, Ferrari amontoou virgens de gesso no liquidificador e Cristos na torradeira elétrica. Em uma gaiola, pássaros artificiais se posicionavam sobre imagens religiosas. A mesa da última ceia era dividida por imagens tradicionais, ratos e gorilas de plástico. Santos eram alfinetados e posicionados em triturador de carne, frigideiras ou raladores em cenários kitsch. À época da exposição, freiras e crentes se reuniam a porta da galeria para protestar e rezar o rosário. É o que narra a professora Andrea Giunta no livro Leon Ferrari - Uma retrospectiva, lançado pela Cosac Naify no Brasil, como parte da mostra Poéticas e Políticas, realizada pela Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2006. “A notícia circulou rapidamente e as vinte mensagens que condenavam a exposição foram respondidas por centenas em sua defesa”, diz Giunta. O artista comemorava que ações como estas colaboravam com a proposta da exibição.
Ferrari não se considera ateu ou anticlerical, mas se declara fascinado pelas figuras bíblicas e pelas interpretações que são feitas dos livros sagrados, muitas vezes controversas. Quando criança, estudou em colégio de padres e fez comunhão. Mais tarde, leu a bíblia exaustivamente e casou-se na igreja com sua grande companheira, Alicia, com quem assina algumas obras. Santos católicos se tornaram personagens de suas peças, onde são hostilizados com grande humor.
A atitude política que permeia sua trajetória foi deixada de lado, paradoxalmente, no período em que viveu exilado Brasil, entre os anos de 1976 e 1983. O artista deixou a Argentina sob ditadura após o exército começar a procurar pelo seu filho Ariel, desaparecido. Temerosos pela segurança da família, ele, a esposa e mais sete irmãos e sobrinhos passaram a morar em São Paulo. Localizada na Alameda Lorena, no bairro do Jardins, a casa do artista e seu atelier coletivo, na rua Amália de Noronha, em Pinheiros, eram pontos de encontro e discussão.
Nesta época, sua produção se mostra mais formal. Não se dedica à arte política, mas foca-se em manuscritos e esculturas metálicas. Algumas dessas peças podem ser vistas na exposição agora em cartaz na galeria Arte Aplicada. Ferrari fez pequenas esculturas de finos arames de ferro soldados que dialogam e se assemelham aos traços feitos a nanquim sobre papel. Também foi influenciado pelos espaços arquitetônicos da cidade e passou a construir peças em grande escala, algumas mostradas na exposição Arte Lúdica, realizada pelo MASP e posteriormente pela Pinacoteca, em 1978. Uma dessas peças, Berimbau, feita com barras de aço sobre vigas de madeira, pertence hoje ao Parque de Esculturas do Jardim da Luz, ligado ao museu do estado.
Com humor, ironia e erotismo, Ferrari destaca valores estéticos, questiona o poder, reverência figuras femininas e dá significado às repetições. Plural, consegue bifurcar sua produção inúmeras vezes, mantendo-se atrelado ao círculo de idéias originais que permeiam toda sua produção. Ao criticar a igreja, as guerras e os sistemas políticos se vale de elementos não artísticos para apontar o dedo nas chagas de nossa cultura. Ao mesmo tempo, se torna sublime e delicado quando desenha caligrafias que passam mensagem alguma e brincam com o cheio e vazio.
Para Giunta, sua trajetória está posicionada em “um território de coexistência entre a cultura erudita e a popular, entre o poético e o político, que ativa o poderoso motor dinamizador de sua obra”. De volta a Buenos Aires desde 1983, Ferrari hoje produz poucas peças que reafirmam a dualidade de sua produção. Se tornou, ao longo dos anos, mais essencial que paradoxal.
sábado, 25 de setembro de 2010
A bienal do bode político
Muito foi feito, nos últimos dois anos, para limpar a imagem da Fundação Bienal. Empossado em 2009, o presidente Heitor Martins tinha como desafio reestruturar não só a parte administrativa, mas ajudar a conduzir público e crítica à apreciação do tradicional evento. Sob o título Há sempre um copo de mar para um homem navegar (retirado do poema Invenção de Orfeu, do poeta alagoano Jorge de Lima), os curadores convidaram cerca de 160 artistas para trabalhar o tema “arte e política”. O resultado exposto no Pavilhão Ciccillo Matarazzo é a organização de obras bastante diversificadas que, segundo o curador Agnaldo Farias, defendem a arte como uma extensão da política. “Queremos dar sentido aquilo que não é sentido. Nosso foco é a política da própria arte e o caráter experimental da arte como sendo político”, diz.
Entram em cena, artistas que utilizam uma mesma temática em diferentes graus e que, reunidos, fazem da 29ª edição um programa diferente daquele visto há dois anos. Percebe-se aqui, certa preferência pela fotografia como arte documental e uma chance de diálogo com antigos inimigos, os pichadores.
O coletivo Pixação SP, formado pelo fotógrafo Adriano Choque e pelos pichadores Djan Ivson e Rafael Augustaitiz, ganha espaço nesta edição da Bienal com uma série de fotografias, vídeos e tags (folhas A4 com assinaturas) que expõem a tradição do picho na capital paulista. Ivson e Augustaitiz faziam parte do grupo que invadiu a última edição da Bienal e pichou as paredes projetadas por Niemeyer. Caroline Pivetta, a jovem presa em flagrante e encarcerada por cinqüenta dias, recusou o convite para participar da mostra.
“Essa é uma Bienal de arte política e como o trabalho deles é político e está em toda cidade, eles nos procuraram. Nós acatamos, achamos que a reivindicação fazia sentido”, diz Farias sobre a aproximação com o grupo. O Pixação SP também foi convidado para participar dos chamados “terreiros”, espaços de reflexão, debate e convivência onde o público poderá discutir idéias com os próprios artistas. Ao todo, seis terreiros com diferentes temáticas acontecem durante a mostra.
“Quisemos apresentar documentação do trabalho dos pichadores e não os trabalhos propriamente ditos, já que eles acontecem no âmbito urbano. Comparecendo como documento, é uma forma de não trair o sentido da pesquisa deles e eles também não se traírem”, completa o curador. Parece haver, no entanto, uma sombra de dúvida quando estas documentações são acompanhadas na mostra por um texto que diz: “nem tudo que é arte o campo institucional pode abrigar com certeza”.
Além da pichação, algumas obras expostas aproximam-se da estética de rua e usam técnicas de grafite. Um desses exemplos é a instalação Os Mestres e as Criaturas Novas - Remixstyle (2010), do artista angolano Yonamine. No primeiro andar da exposição, uma grande sala penetrável forrada com jornais reciclados, é coberta por símbolos coloridos aplicados com a técnica de stencil, que enfatizam a sobreposição e a mixagem.
Nos demais andares do Pavilhão, sobretudo nos superiores, é possível perceber uma vasta reunião de séries fotográficas, muitas delas documentais. Posicionadas em salas abertas, muros brancos ou caixas de projeção, as fotografias ganham destaque na 29ª Bienal. Algumas, entretanto, perdem qualidade e a merecedora atenção, como no caso da série de Nan Goldin. Fotógrafa americana, responsável por imagens que registram personagens do underground nova-iorquino e parisiense, Goldin apresenta a série A Balada da Dependência Sexual. Em uma sala escura, uma projeção de 45 minutos passa rapidamente por fotografias feitas entre 1979 e 2004. A velocidade da seqüência deixa o visitante perder detalhes de imagens essenciais sobre vida noturna, feminismo e transgressão. O visitante que desejar assistir a projeção inteira deve sentar-se no chão.
Ao contrário dos personagens de Nan Goldin, outros retratados ganham destaque pelas fotografias de Zanele Muholi e Juliana Stein. Discutindo a sexualidade, ambas se dedicam a retratar bustos de figuras que brigam com seus corpos e aparência. Na série Faces and Phases, a africana Muholi aborda a feminilidade em fotografias de mulheres lésbicas, cuja aparência remete ao androginismo. Por outro lado, a série Sim e Não, da brasileira Stein, destaca rostos masculinos travestidos sem sutileza, exagerados em fantasias e maquiagem, que expressam as divergências entre o ser e o estar.
Fotografias servem também de base para outros trabalhos apresentados na 29ª. Um deles, como a série October 18, 1977, do alemão Gerhard Ritcher, apresenta telas em preto e branco cujas imagens são baseadas em fotografias de jornais. Esta série, no entanto, teve o pedido de empréstimo negado pelo MoMa, Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e a aparece na Bienal somente por meio de catálogos expostos. Diante disso, a Fundação encomendou da artista peruana Sandra Gamarra a produção de cópias idênticas à série original. Gamarra é criadora da instituição fictícia LiMAC (Museu de Arte Contemporânea de Lima), “cuja coleção é composta unicamente por pinturas da artista que reproduzem, a partir de catálogos, as imagens das obras de arte que deseja adquirir”, diz o texto da mostra. Em October 18, 1977, a artista reproduz telas originais, que, por sua vez, são reproduções de fotografias de membros da organização guerrilheira alemã Baader Meinhof, quando estavam sob a guarda do Estado e foram encontrados mortos em suas celas.
“A rigor, estamos preocupados com o artista. Não estamos pensando na procedência dele, como também não estamos pensando qual é a mídia que ele utiliza”, diz Farias sobre a pluralidade das obras expostas este ano. “Hoje em dia, não há prevalência de uma ou outra linguagem. Esta é uma Bienal que há de tudo, até porque hoje o que se chama de artes visuais virou um território de fronteira, com as suas variadas interpretações e intersecções”, completa o curador.
Acostumada a envolver-se em polêmicas, a Bienal deste ano foi alertada, antes de sua abertura oficial, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre a série Inimigos, onde o artista pernambucano Gil Vicente se autorretrata prestes a cortar a garganta do presidente Lula e a atirar contra Fernando Henrique Cardoso, George Bush, Rainha Elizabeth II e outras personalidades. Com grande destaque na mostra, a série foi reprimida pela OAB por supostamente “incitar a violência”. Para Farias, “paradoxalmente, contra a lei é a OAB”. O artista, que já expôs a série em outras cidades brasileiras, reagiu com ironia e agradeceu a instituição pela propaganda gratuita.
Há ainda outro artista que causa algum desconforto a Bienal. Na instalação El Alma Nunca Piensa sin Imagen, o argentino Roberto Jacoby montou uma plataforma de apoio à candidata Dilma Rousseff, infringindo a lei eleitoral que proíbe propaganda de qualquer natureza em bens públicos, como o prédio da Bienal. Com apoio de um grupo de artistas de Buenos Aires – uniformizados com camisetas vermelhas com o logo da campanha da candidata do PT -, seriam realizados shows de música, discursos e debates em um palanque improvisado, cercado por imagem gigante do rosto de Rousseff ao lado de seu oponente, José Serra.
Farias admitiu a CartaCapital ter sido pego de surpresa ao acompanhar a montagem da obra. Na quarta-feira 22, dois dias antes de sua abertura, a Fundação Bienal consultou a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo (PRE-SP) sobre que tipo de empecilhos a obra poderia causar à mostra. Segundo a assessoria da Fundação, o Ministério Público Federal orientou a Bienal a inibir qualquer tipo de propaganda eleitoral. “Conforme orientação do Ministério, a Bienal decidiu retirar a obra do espaço expositivo. A obra já está vedada com pano preto”, informou comunicado enviado à imprensa na quarta-feira à noite. No dia anterior, Farias já esboçava aflição. “Aconteceu uma coisa que nós não esperávamos. Até onde o artista havia me contado, era um trabalho de uma campanha política ficcional. Chegou aqui e não era. Não sou eu que vou dizer o que ele pode fazer e o que não pode, mas estou achando que isso vai dar bode”, disse o curador, com ar preocupado.
terça-feira, 9 de março de 2010
III Festival Ibero-Americano de Teatro de São Paulo
Na abertura oficial, o ator Lima Duarte encena o monólogo O Ator, de Chico Assis. O dramaturgo escreveu a peça em homenagem ao próprio ator, que tem liberdade para misturar no texto histórias de sua própria trajetória. Também no dia de abertura, a atriz Denise Fraga está no elenco de A Alma Boa de Setsuan, clássico de Bertold Brecht dirigido por Marco Antônio Braz. Nos dias seguintes, são apresentadas peças que ganharam destaque em seus respectivos países, como Final de Partida, de Samuel Beckett, trazida pelo grupo cubano Argos ou Los Padres Terribles, montagem do texto de Jean Cocteau que foi premiada como melhor espetáculo de 2009, no Uruguai.
A elogiada companhia portuguesa Kind od Black Box encena Lost in Space, obra do polonês Slawomir Mrozek sobre três astronautas à deriva no espaço, sem comunicação com a Terra. Curiosa é a peça Uma Obra Baseada em Nada, da companhia mexicana Entre Piernas. O texto do americano Will Eno é encenado pelo ator Gerardo Trejoluna que passa cerca de uma hora sentado em cubo de gelo, que vai derretendo ao longo da apresentação. Além da mostra principal, que reúne 15 espetáculos, o Festival apresenta programação paralela, com quatro espetáculos apresentados pela Cia. Circo Teatro Tubinho.
Entre os dias 11 e 13, debates abordam temas como a viabilidade de produções alternativas, tendências da dramaturgia e novos atores. A organização sugere a retirada dos ingressos a partir das 13h do dia do espetáculo.
sexta-feira, 5 de março de 2010
em casa, no museu
Quanto mais conhecida é uma obra de arte, mais pessoas almejam a vontade de vê-la ao vivo. Não à toa, Monalisa, de Leonardo da Vinci, ano após ano, continua a lotar de turistas a sala em que está alojada no Museu do Louvre, em Paris. Este princípio é inspiração para a implantação do projeto ERA Virtual – Museus, que colocará na internet o acervo de doze museus brasileiros, disponíveis para visitação virtual, a partir de março.
No endereço www.eravirtual.org, estarão reunidas a princípio cinco instituições. O Museu de Artes e Ofícios, de Belo Horizonte (MG), o Museu do Oratório, de Ouro Preto (MG), Museu Victor Meirelles, de Florianópolis (SC), o Museu Nacional do Mar, de São Francisco do Sul (SC) e a Casa Cora Coralina, de Goiás (GO) são os primeiros a inaugurarem o passeio virtual gratuito que abrange todas as exposições permanentes. A partir do espaço externo destes museus, uma câmera segue em direção a porta de entrada. No canto da tela, um mapa de localização facilita a visita. Esta câmera de acesso “caminha” pelos corredores dos espaços expositores, sendo comandada pelo próprio usuário. Este visitante virtual pode escolher em que direção quer seguir e de qual objeto quer se aproximar. Com um clique, ver detalhes ou gira-la para observar todos os ângulos. Dentro dos corredores, o visitante pode ter uma visão de 360 graus de qualquer ponto do museu em que estiver inserido.
Os organizadores do projeto acreditam que, assim como acontece com a Gioconda de Da Vinci, o conhecimento virtual de uma obra não tira do navegante a vontade de visitar pessoalmente o local onde ela está fixada. “A ferramenta serve como uma motivação a mais para as pessoas visitarem o museus. Como quando um turista procura na internet fotografias de uma praia que irá visitar em breve”, diz Rodrigo Coelho, coordenador e idealizador do ERA Virtual – Museus, que é financiado por intermédio de leis de incentivo estaduais e federais, totalizando 720 mil reais de investimento.
Além das cinco instituições citadas, outras sete estarão disponíveis até o fim do ano. São, em sua maioria, museus de Minas Gerais que abragem temas variados, de arte sacra a história natural. Além disso, outros selecionados estão localizados no Nordeste e Centro-Oeste do país. “Um dos critérios de escolha foi geográfico. Gostaríamos de selecionar museus de todas as regiões, para oferecer ao público uma visão geral das obras hoje expostas no Brasil”, explica a museóloga e curadora do projeto Cicélia Cursino.
Ainda que o oferecimento de uma visitação virtual seja relativamente comum nos grandes museus do mundo, vide o próprio Louvre, a prática caminha lentamente para uma implantação no Brasil. Reforçando esta idéia, o Museu de Arte de São Paulo, MASP, também inaugurou este mês seu novo site, que segue moldes europeus. No endereço www.masp.art.br, o visitante tem acesso a 800 obras do acervo, que incluem telas de Renoir e Van Gogh, com ficha técnica completa. Além das obras, linha do tempo, detalhes históricos e localização de livros e catálogos pertencentes à instituição completam o tour virtual.
quinta-feira, 4 de março de 2010
valores da música, com silvio barbato
Exibido sempre aos domingos, às 16 horas, apresenta temas relacionados à musica, como a formação de orquestra, confecção de instrumentos ou educação musical, em diversos estados brasileiros. Barbato viajou, por exemplo, a Minas Gerais para falar de corais e ao Pernambuco, para apresentar o trabalho da Orquestra Cidadã, formada por jovens da favela Coq, uma das mais violentas de Recife. Com total de 27 programas, a série apresenta algumas histórias interessantes, como quando o maestro confronta a compreensão de ensino musical por crianças e adultos. Ou quando compara funcionamento de uma orquestra à construção civil e explica a formação do grupo musical em companhia de alguns empreiteiros e pedreiros. Daí surge um interessante diálogo de aprendizado que termina com um dos visitantes sugerindo a execução de um forró.
Outros ritmos brasileiros, frevo, samba e chorinho, também são abordados na série, que é também uma homenagem ao maestro falecido. Nos últimos anos dedicado à composição, o maestro era autor da ópera O Cientista, baseada na vida de Oswaldo Cruz e Chagas, sobre a vida de Carlos Chagas Filho. Antes do acidente, estava elaborando sua terceira ópera, sobre Simon Bolívar.
quarta-feira, 3 de março de 2010
khamsa


terça-feira, 2 de março de 2010
pachamama

Saindo do Rio de Janeiro, o diretor Erik Rocha, filho de Glauber Rocha, propõe uma viagem a tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Bolívia. No documentário Pachamama, ele se encarrega completamente da câmera, que, em sua mão, sacoleja daqui até lá. Focando-se muito em imagens abstratas encontradas no caminho – rios, estradas e matas – Rocha entrevista alguns personagens e tenta traçar um perfil dos povos que habitam hoje esses países.
Apesar de dizer-se focado em entender o Brasil por meio de sua visão sobre a América Latina, muito pouco se fala sobre seu país de origem. O diretor busca fazer um retrato da política hoje vigente nestes países, principalmente a boliviana, sob mandato de Evo Morales. Seus entrevistados dividem-se entre aqueles que amam e aqueles que odeiam o presidente indígena e tecem os mais diversos comentários sobre a posição do país.
O diretor dá atenção também à tradição de mascar folhas de coca e como ela é tratada por trabalhadores e políticos. Pachamama, que quer dizer “mãe-terra” no antigo idioma aymara, peca por ocultar informações que seriam importantes para o entendimento da viagem. Por vezes, o diretor opta por imagens abstratas, ao invés de focar-se em rostos. Muitas vozes se tornam anônimas, o que faz o espectador perder a troca e o contato humano.
segunda-feira, 1 de março de 2010
cineclube HSBC belas artes
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
são paulo antiga


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Viva o Brasil



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
um homem sério

Marca registrada dos irmãos Ethan e Joel Coen, o humor negro e sarcástico é parte de sua nova produção Um Homem Sério. O longa é um retorno às origens judaicas dos irmãos, cheios de referências bíblicas e indagações religiosas, ao mesmo tempo em que mantém certo tom de comédia quando busca retratar a infelicidade alheia.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
um olhar do paraíso



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
educação

domingo, 21 de fevereiro de 2010
o mensageiro

sábado, 20 de fevereiro de 2010
aquarelas de Charles Landseer

Quase 180 desenhos e aquarelas desta época, preciosas como as de Jean-Baptiste Debret, pertencem hoje ao Instituto Moreira Salles, que abre exposição no Rio de Janeiro e lança extensa edição bilíngüe sobre o artista, intituladas Charles Landseer: desenhos e aquarelas de Portugal e do Brasil – 1825-1826 e organizadas por Leslie Bethell. Livro e exposição dividem a obra do artista por períodos, desde sua saída da Inglaterra, passando por Lisboa e a chegada ao Brasil. Ainda na capital portuguesa, registrou rostos de passantes nas ruas e fez retratos de Dom João VI, a maioria com lápis ou carvão sob papel.
Durante o período em que esteve no Brasil, Landseer viajou por São Paulo, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro, onde observou costumes e pessoas, mas pintou principalmente paisagens, sobretudo cariocas. Aqui aproveitou o uso da aquarela para registrar também espécies botânicas nativas. Ao chegar no Brasil, era jovem e inexperiente. De volta ao país de origem, tornou-se o principal instrutor da Royal Academy of Arts.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
preciosa

É impossível não se emocionar com a história de Precious, já que o sofrimento se faz tão presente. Mas, ao mesmo tempo, também chega a ser exagerado o tom dramático que Daniels emprega durante todo filme, o que o faz perder o tom. Quando se imagina que a protagonista já passou por tudo, lá vem mais uma cacetada. Por vezes sonha acordada, sempre se imaginando uma cantora de sucesso, escoltada por um namorado bonitão.
A estreante Gabourey Sidibe concorre a melhor atriz pelo papel principal, mas a comediante Mo’Nique impressiona na pele de mãe descontrolada. Em participações especiais, é possível ver Mariah Carey e Lenny Kravitz bem longe do glamour pop ao qual estão acostumados. O longa-metragem também debate a esperança e não poderia ser diferente, já que é apadrinhado e produzido pela apresentadora Oprah Winfrey. Se lembrarmos que esperança e sofrimento fizeram de Quem quer Ser um Milionário? o melhor filme do ano passado, pode ser que Precious tenha boas chances com a Academia.
astroboy

toca raul!

Uma seleção de clássicos é o que leitor encontra em Raul Seixas – 10.000 Anos à Frente, uma caixa com seis CDs que reúnem as melhores fases da carreira do roqueiro baiano. Do primeiro álbum solo, Krig-Há, Bandolo! (1973), saíram Mosca na Sopa, Al Capone e Metamorfose Ambulante. Para colecionadores, o álbum 30 Anos de Rock (1985) em que Seixas regrava clássicos do estilo como Blue Suede Shoes e Tutti Frutti, ambas também eternizadas por Elvis Presley. Os bem sucedidos alguns Gita (1974), Novo Aeon (1975), Há 10 Mil Anos Atrás (1976) e Rock Raul Seixas (1977) completam a caixa.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Policarpo em quadrinhos
Dando continuidade a série Grandes Clássicos em Graphic Novel, a editora Desiderata lança O Triste Fim de Policarpo Quaresma (74 págs, R$ 44,90), de Lima Barreto, com roteiro de Flávio Braga e desenhos de Edgar Basques.Este cartunista gaúcho, acostumado com humor, ambienta com precisão o Brasil do século XIX em quadros aquarelados. São bem cuidadas as paisagens cariocas em tons pastéis e a indumentária é detalhada.
O roteiro de Braga se prende aos fatos principais do livro e extrai humor de cenas variadas, como quando o anti-herói se põe a chorar ao cumprimentar alguns visitantes, pois “é assim que fazem os tupinambás”. O Triste Fim de Policarpo Quaresma foi originalmente publicado em folhetins, entre agosto e outubro de 1911, mas não deixa de se mostrar atual ao discutir o papel da liberdade de expressão.
salve jorge!



