sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

araquém e a natureza



Experiente fotógrafo acostumado a fazer da natureza sua principal modelo, Araquém Alcântara delicia nosso olhar com as mais belas paisagens em seus dois novos livros. Lançados simultaneamente pela editora Terra Brasil, as edições bilíngües Chapada Dimantina e Águas do Brasil são uma compilação de belos retratos do país, sejam eles dedicados à chapada baiana, ou voltado aos mares e rios nacionais.

Em Chapada Diamantina (192 págs, R$ 99), Araquém faz a documentação visual não só das belezas naturais, mas também registra donas-de-casa, crianças, garimpeiros e antigos moradores da região, complementados com textos e versos de João Cabral de Melo Neto ou Euclides da Cunha. Já em Águas do Brasil (224 págs, R$ 99), o leque é mais aberto. Cachoeiras, cavernas, animais e plantas aquáticas entram em contraste com a seca, retratada no capitulo final. É o alerta de Araquém, mostrando que a abundância é presente no Brasil, seja para o bem, ou para o mal.

Versos também intercalam os ensaios, como quando Guimarães Rosa se une à ao fotógrafo em homenagem à natureza: “Chuuá! Chuuá! Ruge o rio, como chuva deitada no chão”. Araquém aprendeu cedo a observar e admirar a natureza, quando ainda jovem era levado pelo pai a andanças pela Mata Atlântica. O catarinense que foi precursor em registrar os parques nacionais, hoje é um dos nomes mais importantes da fotografia de natureza.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

caixa de surpresas rodriguiana



Recebi aqui na redação a Coleção Arquivinhos, lançada pela Editora Bem-Te-Vi, e me encantei com o cuidado da editora com essa produção. É uma deliciosa caixinha de surpresas. Ao todo são quatro títulos, o mais recente (lançado esse mês) é dedicado ao multifacetado Nelson Rodrigues. Chega às livrarias em formato de pasta preta, cheia de divisórias, como um arquivo mesmo, por salgados 205 reais.

Mas é possível imaginar os olhos de fãs e colecionadores brilhando ao abrir cada uma delas. Ao todo, são 14 peças gráficas, que incluem textos inéditos, fac-símiles de cartas, cartazes e um DVD com depoimentos de Nelson em áudio e vídeo.

Nos textos, Armando Nogueira fala da paixão do novelista pelo futebol e de como era difícil para ele enxergar, da longínqua arquibancada do Maracanã, os pequenos jogadores no gramado. Fernanda Montenegro, em depoimento a Cláudio Mello e Souza, compartilha a experiência de encenar as peças do autor que era “a essência do diálogo dramático”.

Nos fac-símiles, o amarelado papel das cartas escritas ao amigo Otto Lara Resende, a reprodução do cartaz da primeira montagem, em 1965, de Toda Nudez Será Castigada e o programa de estréia de Beijo no Asfalto, de 1960, são uma viagem no tempo e nos aproximam tanto da obra quanto do autor. Por tamanha homenagem, o preço chega a ser quase um detalhe.


Nelson com a camiseta do Flu em 1979


o cartaz da primeira montagem de Toda Nudez Será Castigada


fac-símile de uma carta ao amigo Otto. Clique para ampliar e ler. É engraçada.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

disfarçando a crise



Depois do roubo dos quadros de Picasso e Portinari, e ainda em meio à (eterna) crise administrativa, o Masp inaugura a primeira exposição do ano, na quinta-feira 28. Estratégias para Entrar e Sair da Mordenidade: Arte no Brasil na Coleção Itaú reúne obras produzidas entre 1911 e 1980, de 74 artistas, como Cícero Dias, Lasar Segall e Iberê Camargo (imagem acima).

Assim como boa parte das obras de arte no Brasil, as 135 peças que compõem a exposição fazem parte de um acervo privado. Não é a primeira vez que o Banco Itaú dispõe a museus parte de seus 3,5 mil trabalhos. Com curadoria de Teixeira Coelho e museografia de Daniela Thomas, a exposição, em vez de se focar em uma ou outra escola, tenta fazer um panorama das artes modernas feitas no país no século passado. O legal é que o acervo é bem vasto.

arte urbana em livro

Materiais grosseiros como concreto, metal e cimento viram arte nas mãos da ítalo-brasileira Maria Bonomi. A gravadora, cenógrada e artista plástica, que desde a década de 70 se dedica a obras públicas de grande dimensão, deixa sua marca nas metrópoles com painéis e esculturas que atraem e surpreendem o transeunte acostumado a passar desatento pelas montanhas cinzas da cidade.

Em São Paulo é possível ver um monte de sua arte. Mais recente, o painel Etnias do Primeiro e Sempre Brasil, inaugurado em janeiro na passagem subterrânea que liga o memorial da América Latina à estação do metrô Barra Funda, retrata a história dos índios brasileiros em 50 metros de comprimento.

Agora, a artista tem a trajetória revista no livro Maria Bonomi – Da Gravura à Arte Pública, lançado em parceria entre a Edusp e a Imprensa Oficial (420 págs, R$ 140) e organizado pela professora Mayra Laudanna. Dividida em três partes, a edição apresenta o conceito de arte pública segundo a artista, entrevistas, depoimentos, complementados com ensaio do crítico Leon Kossovitch.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

um pouco de japão em são paulo

Uma intensa programação está por vir ao longo deste ano de comemoração do centenário da imigração japonesa. O calendário cultural, em especial, ganha recheio com exposições, shows e peças temáticas. Na quarta-feira 20, por exemplo, começa em São Paulo a Mostra de Cinema Japonês – 100 anos de Japão no Brasil, resultado de uma parceria entre o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e a Fundação Japão.

São ao todo 20 filmes, de 14 diretores, que fazem parte da seleção e mostram um panorama da cinematografia de lá desde os anos 1930, até os dias atuais. Integram a programação filmes históricos de diretores como Yasujiro Ozu (Coral de Tóquio, de 1931, e Era uma Vez em Tóquio, de 1953), Akira Kurosawa (A Luta Solitária, 1949 - na foto), Kenji Mizoguchi (A Música Gion, 1953), Nagisa Oshima (Tabu, 1999) e Hayao Miyazaki (O Castelo Animado, 2004).

Conversei com o cineasta André Sturm, que é curador da mostra, para a CartaCapital. Ele falou sobre a produção japonesa e a sua relação com o Brasil. Um pouco disso aí embaixo:

CartaCapital: Uma retrospectiva como essa mostra qual é a cara do cinema japonês hoje?
André Sturm: É uma tarefa difícil. O cinema japonês é variado, pois vai de um cinema bastante clássico, que busca mercado, até filmes bastante artísticos, mais difíceis, porém extraordinários. Há também filmes violentos, ao lado de outros de uma poesia sublime.

CC: Os filmes que são sucesso no Japão chegam a nós, ou há uma diferença de gostos entre os públicos japonês e brasileiro?
AS: Existe uma dificuldade de compreensão de boa parte da produção japonesa. Hoje os filmes que chegam ao Brasil são na maioria os mais sofisticados, normalmente que passam em festivais internacionais.

CC: A língua não familiar pode ser motivo para essa dificuldade de compreensão?
AS: Talvez esse não seja o principal problema. Na verdade, existe mesmo uma diferença de linguagem, de ritmo e sintaxe. Mas, independente disso, todos os anos chegam ao Brasil os filmes que são de maior destaque no Japão. Não necessariamente tem a ver com gosto.

CC: Apesar de ter selecionado todos os filmes da mostra, quais são aqueles que você recomenda como imperdíveis para o público conhecer o cinema de lá?
AS: A seleção é pequena, são apenas 20 filmes. Foi difícil chegar a apenas esses, e todos são representativos. Claro que existe o gosto pessoal e, sendo assim, destaco três diretores, Yasujiro Ozu, Akira Kurosawa e Kenji Mizoguchi. Para mim são momentos especiais da história, não apenas do cinema japonês, mas do cinema mundial.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

meio mistureba


Irvine Welsh, autor escocês que ficou conhecido pelo romance Trainspotting, um dos mais importantes da década de 90, volta a agradar a crítica em sua nova narrativa.

Lançado na Europa em 2006, chega só agora ao Brasil As Revelações Picantes dos Grandes Chefs (Rocco, 432 págs, R$ 52) que traz como protagonista Danny Skinner, sujeito um tanto grosso que trabalha no departamento de vigilância sanitária de Edimburgo, inspeciona os restaurantes mais badalados da cidade e odeia os chefs celebridades.

A narrativa é variada, concentrando-se por vezes em outros personagens, como Brian Kibby, o novato certinho do escritório que faz cooper ouvindo Coldplay, ou Beverly, mãe de Skinner, ex punk de carteirinha. As referências musicais estão em toda a obra, a ponto de Skinner desconfiar se não seria fruto de uma noite de loucuras de sua mãe com Joe Strummer, guitarrista e co-fundador da banda inglesa Clash. A história dessa noite fatídica abre o romance e por causa dela Skinner vai a procura do pai que nunca conheceu.

viva o lost!

"Previously on lost" não é só mais uma chamada... agora é também uma banda! Isso mesmo, uma banda!

Parece que uns doidos de New York se juntaram para fazer músicas sobre os episódios de Lost... Onde vamos parar, hein? E o pior (ou melhor) de tudo, é que elas são hilárias, cheias de referências sobre a quarta temporada. No MySpace dos malucos toda semana será lançada uma música referente ao episódio da vez, portanto, se vc ainda ñ começou a ver a 4ª temporada, nem pense em ouvir... Com nomes como "We're going home" e "Just Wink" (!!) é impossível não querer ouvir essa tosqueira :)
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

coragem sem fronteiras

Enquanto a guerra acontecia entre o Afeganistão e a União Soviética, nos anos 80, o fotógrafo francês Didier Lefèvre foi convidado a acompanhar uma missão dos Médicos Sem Fronteiras que pretendia atender aos feridos afegãos.

Aprendendo a conviver com os costumes mulçumanos, Lefèvre registrou a viagem e a transformou em um belo relato que chega agora às livrarias em seu segundo volume. O Fotógrafo – Uma história no Afeganistão Vol. 2, é a continuação da saga de Didier junto aos médicos e nativos, e onde a aventura se concentra de fato, quando a caravana chega ao seu destino final Zarangandara, no coração do país.

Em um hospital improvisado, com péssimas condições de atendimento, a ação humanitária da MSF toma novas proporções, sendo impossível não se encantar, ou impressionar, com a iniciativa de quem larga a comodidade da vida ocidental em prol da sobrevivência do próximo. A narrativa é tocante e bem apresentada no formato de quadrinhos misturados com as fotografias, feito a seis mãos - com imagens e história de Lefevre, traços de Emmanuel Guibert e diagramação e cores de Fédéric Lemercier. O fotógrafo morreu em janeiro de 2007, aos 49 anos e dedicou sua história a registrar as guerras.

Leia um trecho aqui.
domingo, 3 de fevereiro de 2008

paranoid park



Gust Van Sant volta a abordar o submundo da adolescência em seu mais recente filme, Paranoid Park. Alex, narrador-personagem de 16 anos, se envolve acidentalmente na morte de um segurança em uma linha de trêm próxima à pista de skate clandestina de Portland, a paranoid park.

Sem saber como agir, sendo ao mesmo tempo culpado e inocente, Alex passa a dar um outro sentido a sua vida. Como se deixasse de se preocupar com pequenos problemas e percebesse a imensidão do "mundo lá fora". Van Sant mergulha no tubilhão de sentimentos, mistura-os ao constante silêncio e prova, novamente, que está mais para underground que mainstream. Paranoid Park é ao mesmo tempo lírico e cruel.
sábado, 2 de fevereiro de 2008

previously on lost

Continuando o post anterior...

Como já era esperado, a quarta temporada começou com tudo! O episódio de estréia "the begginig of the end" explicou algumas coisas, mas muitos mistérios ainda estão por vir.... Como eu não vou ficar toda semana falando sobre isso, deixo aqui a dica de dois sites.

O primeiro é o Lost in Lost. Lá tem o resumão dos episódios (para quem tiver coragem de ler..rs) e ainda várias especulações e teorias sobre os mistérios. Sem contar os muitos detalhes que às vezes deixamos passar nos episódios. É a cobertura mais completa do seriado, em português. O segundo é o Lost Brasil, onde existem todas as notícias relacionadas, gente fanática nos forúns, enfim, uma beleza! Fuçando por lá também dá pra achar os links de download dos episódios que passam na gringa.

E se ainda tem alguém atrasado aí, a AXN continua reprisando a 3ª temporada, sem previsão de inicar a próxima por aqui. Enquanto isso, dia 26 começa na Globo a 3ª temporada, naquele horário infeliz de sempre.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

é hoje!



Meses de ansiedade se passaram, mas é hoje o dia. 31 de janeiro começa nos EUA a quarta temporada de LOST (dispensa apresentações, né?)

Aproveitando o embalo, a ABC lançou um Official Recap, uma rápida retrospectiva das três últimas temporadas. Divertida e eficaz para quem não assistiu nada e quer começar agora, apesar de ser bem simplista em detalhes.

A dica é: se vc já é fã de lost, assista e relembre. Se não, vá a locadora mais próxima e alugue todas as temporadas de uma só vez e se jogue no sofá. Você não vai conseguir dormir enquanto não assistir a um próximo episódio e, quando conseguir, vai sonhar com os personagens e ficar bolando teorias mirabolantes sobre o que de fato acontece na ilha. Mas é por isso mesmo que é tão legal.

O link para o recap está aqui> http://www.youtube.com/watch?v=QIuXZ37GQIs

90 anos da UA



Muitas reviravoltas aconteceram durante a trajetória do estúdio cinematográfico United Artists. Fundado por Charlie Chaplin e D. W. Griffith em 1919, foi responsável por grandes clássicos hollywoodianos, viu seu barco quase afundar mais de uma vez e agora parece aproveitar a bonança depois que o astro Tom Cruise e a produtora Paula Wagner reuniram forças com a MGM para voltar aos tempos áureos.

Para comemorar quase um século de existência, chega ao Brasil a mostra 90 Anos United Artists, que reúne boa parte dessa história de altos e baixos em fotografias de sets de filmagens, cenas e making of , além de posters e cartazes, material inédito no país.

Na imagem acima, os jovens Martin Scorsese e Robert DeNiro em Touro Indomável( 1980). Abaixo, Marlon Brando e Bernardo Betolucci, em O Último Tango em Paris (1972) e o poster inédito de Annie Hall (1977). A mostra fica em São Paulo até o dia 25 de fevereiro, no Reserva Cultural.





terça-feira, 29 de janeiro de 2008

marc é um fanfarrão


Marc Jacobs não sossega. E também não param de surgir novidades da parceria do estilista com a Victoria Beckham. A bola da vez é a camiseta "protect the skin you're in" que mostra a posh spice peladinha em pose sensual.

Eu, que vire-e-mexe fico igual ao mala do Pedro Bial repetindo pra todo mundo "use filtro solar", amei a t-shit e, mesmo achando a Vic meio sem sal, quero uma pra mim. (tá eu sei, todo mundo odiou, mas eu gostei, fazer o quê..rs)

Pra quem não lembra ou não viu, Marc (com a irreverência que lhe é de praxe) foi o responsável por deixar a moça em poses engraçadíssimas em uma de suas últimas campanhas. Detalhe, tudo isso sem perder o carão. Alguém me diz como ela consegue ter sempre a mesma cara? Dá um sorriso, muié!


Vic pra presente...


... e em pose ginecológica. Fina!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

uns têm, outros querem



Não é à toa que Marilyn Monroe foi coroada com o título de mito do cinema mundial. Loira, linda e sensual, deu asas à imaginação de homens e mulheres de todo o mundo - eles queriam te-la, elas queriam ser Marilyn. A fotógrafa cearence Telma Saraiva é uma dessas mulheres. Incentivada pelo pai, passou a freqüentar o cinema para melhorar a leitura por meio das legendas e por lá se apaixonou por Marilyn e por outras divas de Hollywood.

De maneira inusitada, as duas se encontram no Brasil, a partir da sexta feira 25, na Galeria Estação em São Paulo. As mostras Marilyn Monroe – O Mito e Telma Saraiva – A Procura de um Mito, se fundem para amostrar o real e o imaginário, um diálogo entre duas mulheres que nunca se conheceram, mas que de alguma forma eram ligadas pelo glamour. Esse mesmo glamour que sufocou Marilyn, alimentava Telma.

Ao todo são 150 imagens, entre fotografias e foto-pinturas. O último ensaio da atriz americana, clicado por Bert Stein no hotel Bel-Air em Los Angeles, regado a champanhe seis semanas antes de sua morte, mostra uma loira menos fatal e mais bem humorada. Sem medo de mostrar suas fraquezas e defeitos, exibe pela primeira vez uma cicatriz na barriga, resultado de uma operação na vesícula.

Enquanto Marilyn é mais Norma –seu verdadeiro nome – Telma é mais Marilyn. Seus auto-retratos e foto-pinturas a mostram em poses, cabelos e olhares de diva. Uma mistura interessante entre a mulher que se mostrou ao mundo como símbolo de sexualidade, e outra, que sem nunca sair do Ceará, conquistou ares de Hollywood.


Marilyn e sua, até então, inédita cicatriz


Telma em pose de diva, um luxo só
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

abram alas


Uma das maiores damas da moda está no Brasil. Desembarcando no país para uma participação no SPFW, a estilista Vivienne Westwood falou com a imprensa sobre a sua parceria com a Melissa, seu controverso manifesto, até deu uns pitacos no Bush e disse torce para que Obama seja eleito nas próximas eleições.

Vivienne é uma figura super importante para a moda, e porque não dizer, para a música também. Ela e o ex-marido/sócio Malcolm McLaren foram os responsáveis por criar o estilo punk que foi eternizado pelos Sex Pistols - ele era manager da banda e ela stylist. Ela não gosta de falar sobre essa época, mas é certo que as polêmicas e controvérsias continuam em sua vida. Exemplo disso é o manifesto Active Resistance Against Propaganda, que será lido hoje na Bienal, que defende a moda não como uma coisa passageira, mas como arte.

Para a dama do punk, o legal da moda é a criação de peças duradouras, que evitem o consumo indiscriminado e que sejam, como a própria arte, atemporais. É estranho ver uma estilista apoiar uma causa que praticamente anula seu ganha pão, mas é por isso que Vivienne tem a fama que tem. Seu manifesto é autêntico e contestador como ela. E esse é, aliás, o espírito punk.


Nos anos 70


Tá vendo essa calça rasgada aí? Se não fosse por ela,
provavelmente vc não a usaria hoje.

Tá bom vai, os Ramones ajudaram tbm...


segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

do céu ao inferno



Toda celebridade ou modelo que se preze não tem seu currículo completo antes de passar pelas lentes de David LaChapelle. O fotógrafo americano - que iniciou a carreira ao lado de ninguém menos que Andy Wahrol, na revista Interwiew - conhecido por criar imagens surreais e provocativas já clicou dezenas de famosos, de Angelina Jolie à Marilyn Manson, de Pamela Anderson à Alexander McQueen, nas mais inusitadas situações.

Algumas dessas imagens chegam ao país na mostra inédita Heaven to Hell: Belezas e Desastres, a partir de 23 de Janeiro no Museu Brasileiro da Escultura, em São Paulo. Consumismo, beleza, sexo e religião são temas presentes em retratos marcados pela postura crítica, e quase sempre bem-humorada, do fotógrafo.

Chegado à polêmicas, transforma a santa ceia em uma festa de rappers e ilustra lindas mulheres em paisagens decadentes. Chico Lowndes, idealizador e responsável por trazer a mostra ao
Brasil, observa como as obras são um retrato da sociedade atual, ao mesmo tempo em que busca escapar de sua própria realidade hipócrita. Para ele, "salta aos olhos uma contraposição entre o testemunho de um mundo real e a criação de um mundo fantástico e absurdo".

Na mostra é possível também conhecer os trabalhos audiovisuais do fotógrafo já que documentário Rize (2005) e diversos videoclipes dirigidos por ele serão exibidos no auditório do Museu. É interessante assistir aos clipes depois de ver as fotografias, porque a estética de LaChapelle pode ser facilmente percebida em vídeos conhecidos, seja no exagero de "Rich Girls" da cantora americana Gwen Stefani ou na depressão de "Natural Blues", do Moby.

A decepção é que uma das imagens mais controversas e interessantes de LaChapelle não está nessa leva que vem ao Brasil. Apesar de ser da série que intitula a mostra, Courtney Love (musa!) de Pietá, segurando um sósia do Kurt Cobain, não estará nas paredes no MuBE. Mas a visita continua sendo obrigatória.


Alexander McQueen ahazou de rainha



Nigger Jesus


Pode chorar, essa não vem! :(

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

quem tem medo do lobo mal?



A correria é grande mas vamos lá ao primeiro post do ano!

É difícil encontrar alguém que não goste de contos de fadas, nem que seja apenas na infância. Muitos desses contos que conhecemos e nos são repassados há gerações tiveram a mesma origem. Mas, como sempre acontece na cultura do boca-a-boca, o João e Maria ou A Branca de Neve de hoje pouco têm a ver com aqueles dos nossos antepassados. Muitas das versões originais eram grotescas, escatologicas ou cruéis.

Responsáveis por registrar essas e outras histórias, os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm (nascidos em 1785 e 1786, respectivamente), ganham uma nova homenagem, agora em quadrinhos.
Lançada pela editora Desiderata, a compilação Irmãos Grimm em Quadrinhos (176 págs, R$ 24,90) traz à atualidade versões de contos que há muito foram esquecidos.

Neles, Rapunzel engravida do príncipe depois de um encontro secreto no alto da torre (quem diria!), as irmãs feiosas da gata borralheira cortam pedaços dos pés para que eles encaixem perfeitamente no sapatinho de cristal. Em tempo: as irmãs eram lindas e o sapato, na verdade, era de ouro. Gente de peso como Fido Nesti (imagem acima), que embarca novamente na adaptação de clássicos, e Claudio Mor integram o time de artistas que emprestam seus traços à obra composta de quatorze histórias.

Minha preferida é a da Branca de Neve. A história é quase a mesma que foi eternizada pela Disney, mas com mais detalhes. A adapatação foi feita por Rafael Coutinho e é praticamente monossilábica, e por isso, tão interessante. Flashes ajudam o leitor a visualizar a história apenas mentalmente e nos mostra uma Branca de Neve ingênua, e quando quer, cruel.


Em poucas palavras
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

ano novo vida velha

Bom, cá estamos novamente... um pequeno período de férias fez toda a diferença!

Como já diz o título desse post, o ano é novo, mas a vida é velha, ? começo de ano é assim mesmo, fazemos de um tudo pra dizer que "daqui pra frente, tudo vai ser diferente" (olha o lulu aí gente!). Nem sempre é assim, pelo contrário, na maioria das vezes as promessas não se concretizam, mas isso não quer dizer que elas dêem lugar às frustrações. As promessas de ano novo são mais uma tradição, assim como usar branco, pular 7 ondinhas, comer romã, e tal... E não fazê-las é como não virar o ano, não é mesmo? Portanto, também me dei ao trabalho de fazer as minhas... Se elas darão certo ou não, se eu serei capaz de cumprir minhas metas ou se simplesmente as esquecerei, isso já é outra coisa! Bom ano pra todo mundo!
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

vergonha



Na madrugada de hoje foram roubados do Museu de Arte de São Paulo "O Retrato de Suzanne Bloch", de Picasso (1904), e "O Lavrador de Café", de Portinari (1934).

O primeiro, avaliado em cerca de 90 milhões de reais, apesar de não fazer parte da fase cubista de Picasso é considerado uma de suas obras mais importantes. Pertence à chamada Fase Azul do artista, marcada pelo predomínio da cor e composta de poucos exemplares.

Já o lavrador de Portinari é avaliado em cerca de R$ 10 milhões, de importância inegável para o legado artistíco brasileiro, como todo o acervo do modernista paulista.

O que choca é saber que um museu com o porte do Masp não possui nenhum tipo de segurança contra roubos. Suas câmeras de segurança não funcionam dentro das salas, apenas no vão livre e outras partes de fora do prédio. Lá também não existia um alarme na hora do crime. A ação durou 3 minutos e os ladrões entraram no museu usando um pé de cabra e um macaco. Desses que a gente usa pra levantar o carro... sabe?
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

eles estavam errados

Senhor de cabelos arrepiados e grisalhos, um tanto excêntrico, Albert Einstein se firmou no imaginário coletivo como um dos maiores gênios da história.

O físico alemão e sua teoria dispensam apresentações e ainda hoje, assim como muitas outras mentes brilhantes, intrigam estudiosos e curiosos. Suas vidas parecem ser povoadas de fatos curiosos que os tornam pessoas tão ou mais interessantes quando sua própria genialidade - lembram de John Nash?

Mais um exemplar dedicado à Einstein chega às livrarias para aumentar a lista de opções para o Natal. Em Einstein – Sua Vida, Seu Universo (Cia das Letras, 656 págs, R$ 64) o autor e jornalsita Walter Isaacson vai além da biografia, relatando a personalidade do gênio que aprendeu a conhecer quando estudou um extenso legado de cartas escritas a amigos e familiares.

Através das citações de Einstein, é possível perceber uma pessoa humilde, avessa à autoridades, capaz de formular equações e teorias inteiras mentalmente. Dificilmente ele usava uma folha de papel durante essas divagações.

Mudo nos primeiros anos de vida, foi rejeitado pela família por ter dificuldade de aprender a falar. Alguns chegaram a achar que ele era retardado. Outros o apelidaram de "der Depperte", o estúpido. Felizmente e para o bem da humanidade, eles não tinham razão.