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quinta-feira, 29 de maio de 2008

malvados de dahmer em livro

Lá no comecinho do blog, postei uma entrevista pequena (link aqui) que tinha feito com o André Dahmer, quadrinista carioca que eu adoro. Ele é responsável pelas tiras dos Malvados, série que ficou famosa pela internet, além dos Apóstolos, Rei Emir Saad, A Cabeça é a Ilha, e outras mais.

Todos os dias, o site dele coloca no ar uma nova tira. É possível acompanhar o Dahmer também pelo G1, que tem uma área pra quadrinhos sempre atualizada e onde ele é colunista. (colunista? não é bem esse o termo, né? mas deu pra entender... )


Enfim, os Malvados agora também podem ser encontrados em livro. O lançamento é da editora Desiderata (a mesma que lançou no ano passado O Livro Negro de André Dahmer), e custa R$39. O legal é que no site do André a gente pode encomendar sem frete e ainda autografado! Além do livro, tem também camisetas, canecas e até exemplares originais já emoldurados, prontos para serem pendurados na parede!
Eu gosto muito dos dois exemplares, mas é bom conhecer um pouco de cada série e depois optar pela edição que traga maior número de tiras de acordo com o gosto de cada um.
(clique nas imagens para ampliar)
sexta-feira, 14 de setembro de 2007

ácido e cômico





Na leva de empolgação de início de festa, revolvi postar aqui uma pequena entrevista que fiz com André Dahmer, que lançou há pouco tempo um livro super divertido de histórias tragi-cômicas em tiras.

Vale a pena conferir também o site do Dahmer, que além de postar uma tira diferente a cada dia, tem um arquivo grande sobre os mais variados temas. (http://www.malvados.com.br/)




Essa aí de cima é a que foi publicada hoje.


O texto abaixo foi publicado originalmente na revista CartaCapital, edição 459. Essa versão web é um pouco mais extensa.





Pintor e quadrinista carioca, André Dahmer se meteu no mundo das tiras e ganhou reconhecimento através da internet. Agora, chega às livrarias “O livro secreto de André Dahmer” (Desiderata, 112 págs, R$ 19,90), uma reunião de tirinhas que mostram um humor ácido e quase negro, mas na medida certa para boas risadas. O artista carrega um caderno pra cima e pra baixo, se por acaso acontecer uma boa história: “É preciso anotar na hora para desenhar de noite, ou esqueço mesmo”, ele diz. Quase sempre em três quadros, na série “Apóstolos”, Jesus toma atitudes nem um pouco cristãs, “Diários Secretos” abordam as facetas mais obscuras da família e sociedade, tema abordado também em “União Brasileira dos Moralistas de Fachada”.

CC: Religião, abusos, drogas, violência, sexualidade estão sempre presentes nas suas tiras. Como é o processo criativo em cima de assuntos ainda um pouco polêmicos?



AD: Eu tenho um processo criativo realmente caótico, muito aberto, sem regras, sem horários. Trabalho muito com o cotidiano, olhos muito as ruas, as pessoas. Eu levo comigo um caderno de bolso porque sempre acontece uma tirinha no metrô, quando vou para o trabalho. É preciso anotar na hora para desenhar de noite, ou esqueço mesmo. Mas isso é da minha natureza e aprendi que tenho que aceitar a maneira como sou e como consigo produzir melhor. Eu descobri que preciso me adaptar ao meu trabalho, e não o contrário.





CC: como é utilizar temas nem sempre alegres para fazer humor? Toda tristeza tem sua beleza, assim como seu humor? Porque a dor alheia (ou a nossa própria) nos faz rir?


AD: A questão é que o humor sempre trabalhou muito com a tragédia, com as tristezas e contradições da vida. Eu tenho certeza de que o humor é mais que uma arma para diminuir as nossas dores cotidianas, ao colocar um "espelho" em nossa frente. É também uma maneira de esclarecer, alertar e denunciar a dura realidade que vivemos.


CC: A internet serviu como um impulso pra sua divulgação. É mais prazeroso trabalhar em um meio democrático, ou ainda é mais dificil destacar-se em uma mídia tão vasta?


AD: É muito mais prazeroso e os processos de publicação, mais livres. Na rede sou meu próprio editor. Isso me ensinou muitas coisas valiosas. Claro que a internet é uma mídia muito fragmentada, de informação não-linear. Mas cabe ao usuário descobrir os caminhos para a boa informação. Isso é uma forma de cultura e é também a grande contribuição da internet: o direito de escolha da informação, ao contrário do que acontece na TV.


CC: E suas tiras autobiográficas? Como é expor-se? Tudo a sua volta serve de inspiração?


AD: Eu fiz poucas destas tiras e antes não entendia gente como Crumb, Angeli, Allan Sieber, tantos que trabalharam com tiras autobiográficas. Me parecia vaidade, sabe? Hoje sei que é rico o universo autobiográfico, além de ser mais eficiente e barato do que pagar um analista.



tá certo.... a psicologia custa caro...




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

também estou no e-blogue!

O pessoal do E-Blogue me convidou para participar da edição #3, que acabou de entrar no ar!


O E-blogue é um fanzine semanal que reúne postagens de diferentes blogueiros, sobre temas mil. Tem de tudo por lá: pensamentos, poesia, tirinhas, humor! Eu contribuo esta semana com uma entrevista com o quadrinista André Dahmer, criador dos Malvados. Dahmer é um dos meus favoritos e já falamos sobre ele outras vezes aqui no blog. Cliquem aqui para ler todos os posts!


É isso aí! Valeu galera do E-blogue e que a parceria continue!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

é tudo mais ou menos verdade

Nova compilação de Allan Sieber traz narrativas inspiradas na vida real

É tudo mais ou menos verdade
Ed. Desiderata, 128 págs, R$ 49,90

Para grandes cartunistas, a verdade é mais interessante que a ficção. Se aproveitada de maneira correta, a narrativa de um fato banal pode tornar-se interessante, engraçada, à maneira de Robert Crumb e Harvey Pekar. Inspirado por esses, e outros, o gaúcho Allan Sieber olha em volta em busca de observações cotidianas que o fazem refletir sobre uma boa história. Sarcástico e inteligente, o humor de Sieber zomba conosco, aproveita as brechas sujas e incoerentes da sociedade para nos fazer rir. É, acima de tudo, atento a detalhes, às piadas prontas. Em seu novo livro, É tudo mais ou menos verdade, reúne histórias mais longas que as usuais tiras, algumas inéditas outras encomendadas e publicadas por diversos veículos. “Os pequenos detalhes bobos, quando contados de maneira interessante, se tornam interessante”, disse em conversa por telefone.

“Jornalismo investigativo, tendencioso e ficcional de Allan Sieber” é o subtítulo que entrega ao leitor o tom das narrativas. Mais como um observador, o cartunista vai cobrir eventos como o Fashion Rio, onde observa o backstage de desfiles, penetra em festas fashionistas e conta piadas que ninguém entende. Também no Rio de Janeiro, cidade onde mora hoje, acompanha um tour pela favela, feita para turistas. No grupo, argentinos irritantes e uma guia turística sem noção. Foi no Rio também, que Sieber descobriu o paradeiro de Adolfo Hitler, o Seu Dodô, morador do bairro do Leblon, fã das rodas de samba da Lapa.

“As pessoas tendem a achar que as histórias são muito exageradas, mas 90 por cento das coisas aconteceram. Mas sempre há pequenas omissões”, diz Sieber. Na série Memórias Alheias, cria pequenas histórias inspiradas por casos impensáveis de amigos, ou inimigos. “É uma motivação poder me vingar dessa maneira”, diz sobre os últimos. “Sei de pessoas que se reconheceram nas histórias, mas nunca me falaram nada e não tive nenhum tipo de problema”.

Sieber é fruto de uma geração criativa, ao lado de outros bons cartunistas e amigos como Arnaldo Branco e André Dahmer. Ao contrário dos dois, porém, não gosta de passar horas no Twitter e sabe, muito mal, atualizar seu blog, onde posta com certa freqüência. “É uma ferramenta genial, mas ainda acho estranho. Parece que as pessoas perderam a divisão entre o publico e o privado”, diz o cartunista que tem como personagem principal ele próprio.