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sábado, 8 de janeiro de 2011

charles mogadom e conde euphrates

AS AVENTURAS DE SIR CHARLES MOGADOM E DO CONDE EUPHRATES DE AÇAFRÃO
Artur Matuck, Carlos Matuck e Rubens Matuck
Ed. Terceiro Nome, 160 págs, R$ 99

Pela cidade fictícia de Damar, passeia Nicolaus Copernicus, uma grande embarcação com asas de borboleta, sempre guiada pelo Conde Euphrates em companhia de Sir Charles Mogadom. Neste universo de fantasia, criado pelos irmãos Artur Matuck, Carlos Matck e Rubens Matuck em forma de história em quadrinhos, estão figuras notórias, como Santos Dumont. Em viagem a Damar, cidade com cara de sonho, o inventor teve a derradeira inspiração ao ver suspenso no ar Copernicus, o navio que voa.

Em As Aventuras de Sir Charles Mogadom e do Conde Euphrates de Açafrão, os desenhos de Rubens Matuck são feitos a lápis de cor e transbordam tons. Dão vida a figuras fantasiosas criadas na imaginação dos três irmãos há mais de 30 anos. Aos 11 anos, Rubens Matuck criara pela primeira vez o universo de Damar, em um desenho de criança reproduzido nas primeiras páginas do exemplar. Feito também a lápis de cor, o desenho de uma casa ao topo de uma montanha de cristais era o prelúdio do que mais tarde viria a se tornar esta série, feita em conjunto com os irmãos, responsáveis pela elaboração dos textos. Divididas em capítulos, algumas histórias são baseadas apenas em imagens e deixam o leitor adentrar em um mundo desconhecido. Para iniciar a jornada, textos complementares de Oscar D’Ambrosio introduzem este universo e suas referencias. Ao final, ele entrevista os principais personagens da trama.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010

paulo caruso - avenida brasil

AVENIDA BRASIL: ENFIM UM PAÍS SÉRIO!
Paulo Caruso
Devir Livraria, 96 págs, R$ 29,50

Desde a década de 1970, o cartunista Paulo Caruso lança seu olhar sobre a política brasileira na série Avenida Brasil, que tem como personagem principal uma via pública fictícia por onde circulam em bares ou barbearias os políticos que tomam os noticiários. É “a via das dúvidas”, enfatiza o autor. Originária da série Bar Brasil, uma metáfora adequada aos tempos da ditadura, esta Avenida Brasil já rendeu títulos que enfocam os principais acontecimentos dos últimos governos.

Próximo ao fim do segundo mandato do Presidente Lula, o cartunista lança Enfim um país sério!, o segundo sobre o governo do petista, antecedido por Se Meu Rolls-Royce falasse (2006). Nesta coletânea, treze histórias relembram com humor casos ocorridos nos últimos anos. Elas abordam a ascensão de mulheres a cargos públicos, as relações do governo com a América Latina, a eleição de Barack Obama ou a prisão do ex governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

No capítulo XI, Caruso faz uma pausa na temática política para homenagear artistas falecidos que agora armam festas entre as nuvens. Carlos Drummond de Andrade, Cartola, Tom Jobim e Vinicius de Moraes ficam perplexos com a chegada de Michael Jackson, que dança seu tradicional moonwalk sobre a lua. “Durante esses trinta anos, a cada semana, depois de concluída mais uma página, me perguntava como seria a seqüência final desta história. Essa experiência agora se encerra aqui, com o fim de uma era”, diz o autor.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Policarpo em quadrinhos

Dando continuidade a série Grandes Clássicos em Graphic Novel, a editora Desiderata lança O Triste Fim de Policarpo Quaresma (74 págs, R$ 44,90), de Lima Barreto, com roteiro de Flávio Braga e desenhos de Edgar Basques.

Este cartunista gaúcho, acostumado com humor, ambienta com precisão o Brasil do século XIX em quadros aquarelados. São bem cuidadas as paisagens cariocas em tons pastéis e a indumentária é detalhada.

O roteiro de Braga se prende aos fatos principais do livro e extrai humor de cenas variadas, como quando o anti-herói se põe a chorar ao cumprimentar alguns visitantes, pois “é assim que fazem os tupinambás”. O Triste Fim de Policarpo Quaresma foi originalmente publicado em folhetins, entre agosto e outubro de 1911, mas não deixa de se mostrar atual ao discutir o papel da liberdade de expressão.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009

tocaia - de maringoni

Apaixonado por aviação e observador da vida na cidade, o jornalista e quadrinista Gilberto Maringoni mistura temáticas em Tocaia, lançamento que reúne quatorze histórias produzidas entre 1989 e 2002. Bem humoradas ou aventureiras, as histórias de Maringoni são cheias de personagens curiosos, com diferentes estilos e trajetórias de vida. às vezes, faz de si mesmo o protagonista de suas histórias.

No conto que dá nome ao livro, um matador de aluguel espera o momento de entrar em ação, enquanto conversa com o leitor. Prepara-se para o ataque, em um quarto de hotel. Segue para o local combinado, sem sucesso.

Na história Gente como a gente, uma um rapaz sofre com o trânsito na Av. São João, em São Paulo, numa narrativa bem humorada. Ele seria mais um em meio a todos os paulistanos, não fosse pelo elevado Minhocão que passa exatamente dentro de sua sala de estar. Enquanto assiste TV, conversa com motoristas, ajuda na troca de pneus e irrita-se com o caos paulistano, que termina quando a Companhia de Tráfego fecha a passagem.

Com fantasia ou não, a cidade de São Paulo é também personagem em algumas tramas. Nos capítulos finais, Longa Jornada Eu ADentro e Avoadoras, reservam detalhadas histórias autobiográficas e sobre aviação.
terça-feira, 17 de novembro de 2009

é tudo mais ou menos verdade

Nova compilação de Allan Sieber traz narrativas inspiradas na vida real

É tudo mais ou menos verdade
Ed. Desiderata, 128 págs, R$ 49,90

Para grandes cartunistas, a verdade é mais interessante que a ficção. Se aproveitada de maneira correta, a narrativa de um fato banal pode tornar-se interessante, engraçada, à maneira de Robert Crumb e Harvey Pekar. Inspirado por esses, e outros, o gaúcho Allan Sieber olha em volta em busca de observações cotidianas que o fazem refletir sobre uma boa história. Sarcástico e inteligente, o humor de Sieber zomba conosco, aproveita as brechas sujas e incoerentes da sociedade para nos fazer rir. É, acima de tudo, atento a detalhes, às piadas prontas. Em seu novo livro, É tudo mais ou menos verdade, reúne histórias mais longas que as usuais tiras, algumas inéditas outras encomendadas e publicadas por diversos veículos. “Os pequenos detalhes bobos, quando contados de maneira interessante, se tornam interessante”, disse em conversa por telefone.

“Jornalismo investigativo, tendencioso e ficcional de Allan Sieber” é o subtítulo que entrega ao leitor o tom das narrativas. Mais como um observador, o cartunista vai cobrir eventos como o Fashion Rio, onde observa o backstage de desfiles, penetra em festas fashionistas e conta piadas que ninguém entende. Também no Rio de Janeiro, cidade onde mora hoje, acompanha um tour pela favela, feita para turistas. No grupo, argentinos irritantes e uma guia turística sem noção. Foi no Rio também, que Sieber descobriu o paradeiro de Adolfo Hitler, o Seu Dodô, morador do bairro do Leblon, fã das rodas de samba da Lapa.

“As pessoas tendem a achar que as histórias são muito exageradas, mas 90 por cento das coisas aconteceram. Mas sempre há pequenas omissões”, diz Sieber. Na série Memórias Alheias, cria pequenas histórias inspiradas por casos impensáveis de amigos, ou inimigos. “É uma motivação poder me vingar dessa maneira”, diz sobre os últimos. “Sei de pessoas que se reconheceram nas histórias, mas nunca me falaram nada e não tive nenhum tipo de problema”.

Sieber é fruto de uma geração criativa, ao lado de outros bons cartunistas e amigos como Arnaldo Branco e André Dahmer. Ao contrário dos dois, porém, não gosta de passar horas no Twitter e sabe, muito mal, atualizar seu blog, onde posta com certa freqüência. “É uma ferramenta genial, mas ainda acho estranho. Parece que as pessoas perderam a divisão entre o publico e o privado”, diz o cartunista que tem como personagem principal ele próprio.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009

balaiada

Histórias de um Brasil longínquo, normalmente reservadas aos livros escolares, tem sido inspiradoras para a criação de bons exemplares de histórias em quadrinhos. Exemplos recentes são os álbuns Os brasileiros, de André Toral, que narra em pequenas histórias a saga indígena no Brasil colonial, ou O Cabeleira, de Leandro Assis e Hiroshi Maeda, biografia do personagem homônimo, um dos primeiros bandoleiros nordestinos, temido anos antes de Lampião.

São, em sua maioria, narrativas inspiradas em fatos verídicos que, ao serem transportadas ao universo dos quadrinhos, ganham aura de aventura e tornam-se atrativas mesmo a leitores pouco familiarizados com o estilo. Recém lançado, o livro Balaiada – A Guerra do Maranhão (Dupla Criação, 82 págs) entra neste pacote e é resultado de um projeto concluído a seis mãos. Com roteiro do historiador Iramir Araújo e ilustrado por Ronilson Freire e Beto Nicácio, narra a eclosão da Balaiada, movimento popular que mobilizou homens livres e escravos contra a chamada Lei dos Prefeitos, na então província do Maranhão, em 1838. Lutavam, sobretudo, contra o abuso de poder escravocrata das classes políticas locais. Foram derrotados, após anos de combate com soldados da corte imperial, e seus líderes presos ou assinados.


Os quadros em preto e branco, que narram disputas e batalhas com precisão, foram divididos entre os desenhistas. Apesar de semelhantes, é possível perceber e comparar a diferença de traços entre Freire e Nicácio.
quinta-feira, 16 de julho de 2009

copacabana*

“Copacabana é aquele bilhete que você, totalmente de ressaca, encontra no bolso da calça de manhã. O bilhete da garota com quem você trombou ontem numa festa. E você sabe que ela é encrenca (...)”.

Com estas palavras Mário Bortolotto apresenta o álbum Copacabana (Ed. Desiderata, R$40, 200 págs), desenhado por Odyr e roteirizado por Lobo, ambos remanescentes da revista Mosh. No livro, o submundo do famoso bairro carioca é tratado com sinceridade. Prostituição, drogas e crimes dão o tom da narrativa, apresentada em imagens em preto e branco, tão borradas e agitadas como as próprias personagens.

No enredo, a prostituta Diana é conhecida no calçadão do bairro. Usa o xaveco de sempre pra conseguir clientes. E diz pra mãe que é enfermeira. Labuta diária e forte, que se torna ainda mais dura quando ela se envolve, não diretamente, no assassinato de um gringo cheio da grana. Mas, no meio da confusão, ainda sobra tempo pro amor. Como ela consegue?

Na cidade que é fantasia, o cartão postal oferece sexo, drogas e samba. Lobo e Odyr oferecem ao leitor muito mais. Um olhar direto sobre uma realidade que existe nas esquinas daqui ou de lá. Existe, mas passa despercebida por aqueles que dormem antes da meia noite e não ouvem o barulho das sirenes ou não vêem o piscar dos neons dos night clubs.

No baixo Augusta, em São Paulo, em Copacabana, no Rio, ou nos red lights districts ao redor do mundo, existem centenas de Dianas. E cada uma delas, com uma história pra contar. A dupla sabe disso e se inspirou para traduzir, de maneira coerente, esse universo de diversão e sofrimento. Se Copacabana, o bairro, é encrenca, Copacabana, o livro, é prazer. Ou vice-versa?


* Coluna originalmente publicada no site Impulso HQ
quarta-feira, 1 de julho de 2009

diário de um banana 2 *

* Texto publicado orinalmente no site Impulso HQ. Agora tenho uma coluna semanal lá tbm!


Esta semana quero falar de um livro bem divertido. Não chega a ser uma história em quadrinhos, mas é como se fosse. Diário de um Banana (Ed. V&R, 224 págs. R$ 32) já está em sua segunda edição no Brasil e é um mistura inteligente e bem humorada de HQ com diário, escrita e ilustrada pelo americano Jeff Kinney.

A personagem principal é Greg Heffley, um garoto magrelo que é um daqueles geeks perseguidos no colégio. Cada livro se passa em um ano da escola. Greg só tem um amigo, o Rowley, que ele praticamente despreza. Mas, fazer o que? É o único que ele tem!

Por meio das anotações e desenhos feitos em seu diário, conseguimos entender o que se passa na cabeça de um adolescente que, praticamente sozinho, tem que enfrentar essa fase tenebrosa.

O tema pode parecer batido, mas Greg tem umas sacadas boas. Consegue enxergar seu ambiente com esperteza, sem deixar a ingenuidade de lado. Os desenhos de Kinney são praticamente amadores e se encaixam perfeitamente na estrutura de diário proposta por ele.

Este segundo volume, que chegou este mês às livrarias, tem um coadjuvante de peso. É o Rodrick, o irmão mais velho do Greg, que – óbvio – é um puta mala. Daqueles que é melhor ter como inimigo. O problema é que o Rodrick descobre um segredo do irmãozinho e vai cobrar caro pra manter a discrição.

No Brasil, a série está um pouco atrasada, já que nos Estados Unidos ela se encaminha pra quarta edição. Mas no site do autor dá pra acompanhar um blog e saber de outras novidades relacionadas ao personagem.
Risadas garantidas!
segunda-feira, 8 de junho de 2009

tirinhas são o melhor remédio!

Quando eu estava na faculdade todo mundo me zoava porque eu (literalmente) chorava de rir com as tirinhas dos jornais. Mas, gente, é impossível não chorar! Adão é um gênio!



publicada hoje no site dele.
segunda-feira, 1 de junho de 2009

sábado dos meus amores, de quintanilha

A paixão de um senhor de periferia pelo time do coração, os bastidores de um jogo de cartas num circo de interior ou o azar de um operário no bolão de loteria da fábrica. São temas como estes que permeiam as narrativas, bem brasileiras, que formam Sábado dos meus Amores (ed. Conrad, 64 págs, R$39), do quadrinista Marcello Quintanilha.

A HQ traz seis pequenas histórias e já na primeira delas o autor parece anunciar certo tom de crônica presente em toda a obra. Para isso, usa como personagem um distraído Rubem Braga, que segue uma borboleta amarela, enquanto cruza uma avenida, no Rio de Janeiro de 1952. Quintanilha, fã do escritor capixaba, também aproveita, em outros momentos, humor e lirismo quando narra a paixão do brasileiro por futebol ou o amor de uma moça por um jangadeiro nordestino. Esta última, um saboroso enredo, sutil e ingênuo.

Quadros escuros e com cores fortes são trabalhados em grafite e aquarela, técnicas distintas que utilizadas em conjunto fazem um bonito jogo de sombras, dando às imagens, e principalmente aos personagens, brilho especial. Na tentativa de explorar ainda mais os inúmeros tipos que protagonizam as páginas, Quintanilha deu aos balões de diálogo diferentes formatos. Normalmente rígidos, recebem atenção especial como se espelhassem o sotaque distinto de cada região.
quarta-feira, 13 de maio de 2009

os brasileiros, de andré toral

Antropólogo e historiador por formação, o desenhista André Toral, encontrou nas histórias em quadrinhos uma maneira de juntar profissão e lazer. Seu último trabalho, Os Brasileiros (Conrad, 88 págs, R$38), reúne sete histórias que narram episódios da trajetória indígena, desde a colonização até hoje. Usando diferentes técnicas, Toral trabalha o colorido ou o preto e branco. Narra o choque entre civilizações, mas, sobretudo, dá ao índio o lugar de protagonista. “Quero tirar os índios da posição de vítima da história”, disse o autor. Conversei com ele por telefone e segue aí parte do nosso papo.


Camila Alam: Muitas das histórias de Os Brasileiros mostram uma civilização guiada pelo canibalismo e vingança. São características de uma época ou uma imagem estereotipada?
André Toral: O canibalismo é um tema que se impõe. É o principal traço do comportamento dos habitantes do Novo Mundo, notado por cronistas e viajantes. É também uma forma de vingança. As tribos tinham um complexo ritual de vingança e tentei girar em torno disso. Quis abordar também outro ângulo da conquista. Não podemos só vê-la como uma guerra de brancos contra índios, mas também, e muitas vezes, de índios contra índios. Quero tirar-los da posição de vítima da história e dar a eles caráter de protagonistas.

CA: Você cita na conclusão do livro que a sua formação como antropólogo não influencia nas suas histórias. Tem certeza?
AT: Na verdade, não quis fazer estas histórias como se fosse tese. Tenho medo de que elas virem muito “papo cabeça”. Quero que as pessoas leiam com interesse de leitor de quadrinhos, muito mais do que intelectual. É pra ser divertido. Sou antropólogo sim, mas estas histórias são frutos da minha imaginação, ela é o fio condutor. Todas têm muito de criação literária. Na podemos nos esconder por trás de uma falsa objetividade. A minha história tem autonomia dentro da História. Pretendo ser claro como a noite.

CA: Porque seu traço varia tanto de uma narrativa para outra?
AT: A mais antiga, fiz em 1991, e a mais recente, em 2008. Acho que aprendi a desenhar. Aos 50 anos, faço tudo melhor do que eu fazia antes. Menos enxergar de perto. Deixei de ter timidez. Eu achava que todo desenhista precisava usar nanquim. Mas depois reparei que eu podia scanear o lápis. Essa mudança técnica, aparentemente boba, me permitiu manter no desenho a “mão mole” que o lápis dá. Errou, apagou, não tem drama. A parte que eu mais gosto é a coloração com aquarela. Penso menos e parece que a mão caminha automaticamente.

CA: E porque trabalhar com enredos curtos e autobiográficos? [Em A Alma que caiu do corpo, o autor conta em apenas uma página uma de suas experiências com lendas indígenas].
AT: Eu me coloco lá. Alguém já falou que o difícil é fazer cenas do cotidiano. Não costumo fazer isso, mas achei divertido. Se existe um caminho que gostaria de traçar a partir de agora, é este. Aproximar as histórias do meu dia-a-dia.

CA: Você é daqueles que anota tudo que acontece a sua volta, para uma eventual história?
AT: Eu sou o homem dos papeizinhos. Guardo tudo, mas eles nunca são muito bons. Valorizo a primeira idéia, mas ela não é nada sem trabalho posterior.
quinta-feira, 30 de abril de 2009

x-men origens: wolverine


Desde o primeiro lançamento, em 2000, a série X-Men se tornou uma das adaptações de quadrinhos mais bem sucedidas nos cinemas. Três sequências depois, chegou a hora de seu personagem mais popular ganhar filme próprio. X-Men Origens: Wolverine, a estreia do fim de semana no mundo inteiro, é um dos mais aguardados do ano e confirma o favoritismo do ator australiano Hugh Jackman junto à Hollywood.

Com popularidade crescente nos últimos anos, Jackman foi o eleito da Academia para tentar impulsionar a audiência do Oscar este ano. E conseguiu. Pouco conhecido antes de dar vida a personagem, o ator volta as telas contando não só a origem de Wolverine, como de parte da equipe X-Men e de como ela começou a ser liderada pelo Professor Charles Xavier (Patrick Stewart). Eu gostei bastante do filme. Mais impactante que os outros três, com ótimas cenas de ação e outras românticas ou engraçadinhas. Aliás, o humor ácido do personagem é uma das razões por ele ser tão adorado. Wolverine é o típico rabugento. E esse é seu charme.


Neste novo longa, dirigido pelo sulafricano Gavin Hood, o mutante com garras indestrutíveis é a estrela principal, mas os fãs também vão apreciar a presença de personagens nunca vistos em outras sequências da série, como Gambit (Taylor Kitsch) e Dentes-de-Sabre (Liev Schreiber). Como esperado, X-Men Origens é cercado de ação por todos os lados, mas narrativa traçada desde a infância leva o espectador a conhecer a raiz do ódio que tanto caracteriza o protagonista.
segunda-feira, 27 de abril de 2009

verão índio

A junção de dois mestres das histórias em quadrinhos italianas chega ao Brasil este mês, com longos 22 anos de atraso. Verão Índio (Conrad, 152 págs, R$ 49,90), lançada originalmente em 1987, alia o roteiro de Hugo Pratt aos desenhos de Milo Manara e foi considerada uma das HQ’s mais importantes do século XX.

Nos Estados Unidos do século XVII, uma garota de um vilarejo puritano é atacada sexualmente por dois indígenas. O episódio é mostrado nas primeiras dez páginas e a ausência de diálogos intensifica a maestria de Manara ao ilustrar cenas de impacto. Depois do ocorrido, a guerra dos nativos contra os colonos europeus ganha força, envolvendo uma pequena família de renegados, que vive perto do vilarejo. A história do clã acaba por servir de pano de fundo para Pratt construir no roteiro a identidade de uma nação em formação, narrarando episódios de selvageria, incestos e abuso de poder.

O característico traço de Manara, considerado o mestre do quadrinho erótico, dá vida a personagens sensuais, homens robustos e mulheres cheias de curvas. Mas além de chamar atenção pela conotação sexual, o estilo de Manara é permanente nas cenas de guerra ou paisagens, compostas por cores fortes que se tornam ausentes quando são narrados flash-backs. Pelo enredo e produção, Verão Índio se torna um exemplar essencial para os apreciadores do estilo.
terça-feira, 24 de março de 2009

fábio moon e gabriel bá na daslu?



Os gêmeos Fabio Moon e Gabriel Ba firmaram de vez sua marca no mundo dos quadrinhos. Vencedores mais de uma vez do prêmio Eisner, o mais importante da categoria, os irmãos realizam nova exposição em São Paulo, em local curioso. A sede da Daslu, a maior loja de luxo do Brasil, recebe a mostra 10 Pãezinhos, que reúne cerca de 60 originais.



As peças contam a trajetória da dupla ao longo de diversos trabalhos, como a premiada revista 5, a adaptação de O Alienista e Umbrella Academy, cujos direitos já foram comprados pela Universal para adaptação cinematográfica. O roteiro do Umbrella Academy foi escrito pelo Gerard Way, o vocalista do My Chemical Romance, e ilustrado por vários quadrinistas.



O local da exposição tem sentido. Fabio Moon e Gabriel Ba são os responsáveis pela estamparia da nova coleção da 284, marca própria da loja paulistana, dedicada ao público jovem.
Cliquem nas imagens para ampliar!
quinta-feira, 12 de março de 2009

salon de nick bertozzi



As páginas da história em quadrinhos Salon (Ed. Desiderata, 188 págs, R$ 39,90), de Nick Bertozzi, são recheadas de cores. Não podia ser diferente, já que elas ilustram um thriller fictício que envolve os artistas Pablo Picasso e Georges Braque, ao lado de amigos ilustres como os irmãos Leo e Gertrude Stein, o crítico Guillaume Apollinaire e o compositor Erik Satie.

Na Paris do começo do século XX, os amigos se encontravam em festas e jantares, a maioria deles entorpecidos por um especial e poderoso absinto. O clima de festa é interrompido quando uma estranha criatura azul começa a assombrar o grupo, que logo se vê envolvido numa série de assassinatos. A tal criatura, acreditam, pode ter saído de uma de suas próprias pinturas.

A cada página, Bertozzi colore ambientes com diferentes cores. De amarelos e azuis muito claros à marrons, roxos e laranjas escuros que ajudam a manter certa obscuridade no enredo. O livro teve problemas relacionados à censura nos Estados Unidos, por mostrar um nu frontal de Picasso, retratado como um senhor obsceno. Mas a edição chega ao Brasil sem ressalvas ou cortes. O espanhol, inclusive, rende boas passagens, onde fala sobre o nascimento do cubismo.

No site do autor, ele comenta no blog sobre a publicação da obra no Brasil. Tem também alguns videos promocionais e vários outros trabalhos e ilustrações do americano. Abaixo, vou colar as 5 primeiras páginas desta HQ. Como peguei do site dele, estão em inglês. Clique nas imagens para ampliar!










terça-feira, 27 de janeiro de 2009

confirmado! Jamie Bell será Tintim!

Gentemmm, vcs viram isso?

O gracinha do Jamie Bell foi confirmado pela Sony e Paramount como o protagonista da série Tintim, dirigira por Steven Spielberg e produzida por Peter Jackson. Lembram dele pequenino em Billy Elliot? A notícia é um alívio pra mim! Até agora ela foi a única coisa positiva sobre essa adaptação. Já tinha feito um post aqui sobre a possível contratação de Thomas Sangster para o papel, mas ele é novo demais para interpretar Tintim.

E mais um mistério foi resolvido! Já tinha comentado em outro post sobre qual seria o primeiro episódio de Tintim a virar filme. Pessoalmente, estava torcendo muito por O Cetro de Ottokar, As Jóias da Castafiore e As Sete Bolas de Cristal. Mas o escolhido foi O Segredo do Licorne. Ãhn... é um bom episódio, mas há tantos outros mais interessantes!

Outro personagem que já ganhou rosto é o vilão Rackham, o Terrível. Será interpretado por Daniel Craig, o James Bond loiro! rs (da onde tiraram q james bond podia ser loiro? haha). Mais uma bola fora? Na minha opinião, sim. Digo e repito: não confio em Spielberg, nem em Jackson e estou com muito pé atrás com essa trilogia. Espero que eles não estraguem a obra prima de Hergè!

Falando em obra prima, até esqueci de comentar por aqui. Mas finalmente a Cia. das Letras lançou os livros mais esperados da coleção: As Aventuras de Tintim Repórter do "Petit Vingtième" no País dos Sovietes (o primeiro livro da série) e Tintim e a Alfa-Arte, a última, e incompleta, história que narra também alguns dos bastidores da criação do personagem!

Vamos continuar acompanhando essa saga! Outros posts sobre Tintim no link aqui.
Jamie Bell tem cara de Tintim! rs
Andy Serkis será Capitão Haddock! (boa escolha tbm)
Rackham, o Terrível???
Novos lançamentos (R$ 36 e $42 respectivamente)
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

che em quadrinhos


Três meses após a morte de Che Guevara, em 1968, era lançada na Argentina a biografia em quadrinhos La Vida del Che, do roteirista Hector Oesterheld. Ilustrado a quatro mãos pelos uruguaios Alberto e Enrique Breccia, o livro teve, na época, trajetória tão conturbada quanto a de seu próprio protagonista.

A editora responsável pelo projeto, invadida misteriosamente, teve todo o estoque da obra seqüestrado e destruído. Anos depois, o livro viria a ser proibido, o que lhe deu ainda mais prestígio. Em 1977, Oesterheld, suas quatro filhas e dois genros desapareceram, vítimas do regime militar.

Só agora o livro recebe edição em português, intitulada Che – Os Últimos Dias de um Herói (Ed. Conrad, 96 págs, R$ 34,90). O livro narra, sucintamente, a trajetória do revolucionário desde a infância, passando pelo inicio da carreira médica e os primeiros contatos políticos.

Os desenhos em preto e branco dos Breccia, pai e filho, são ora silhuetas, ora borrões, que deixam o leitor livre para imaginar seu próprio cenário. Não à toa, as imagens tornam-se cada vez mais escuras à medida que a história de Che vai chegando ao fim. “A história dos quadrinhos é dividida em duas épocas: a que vem antes e a que vem depois de Alberto Breccia”, disse certa vez Frank Miller, quadrinista americano responsável por Sin City e 300.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008

wonder woman

Adoro quando a gente consegue juntar várias coisas que gostamos numa só. E foi por isso que eu amei o projeto da estilista Diane Von Furstenberg, que une quadrinhos e moda! Diane desenhou uma mini-coleção inspirada na Mulher Maravilha e, para acompanhar, lançou a HQ Be The Wonder Woman You Can Be: The Adventures of Diva, Viva and Fifa.

Tudo bem que eu não li e todos concordamos que Diva, Viva e Fifa são péssimos nomes de personagens, mas achei bacana a intenção de inspirar a mulherada a ser suas próprias heroínas, de preferência usando um daqueles vestidos lindos! Loosho! A história é escrita pela própria Diane, ilustrada por Konstantin Kakanias e lançada em parceira com a DC Comics. Está a venda por tempo limitado no site, por $25 doletas, e a renda é revestida pra uma ONG chamada Vital Voices, que ajuda na educação de mulheres em todo mundo.
Mais Wonder Woman by DVF
terça-feira, 14 de outubro de 2008

n' roll - nova opção nas bancas

O revista em quadrinhos N’Roll (Ed. Rodie Crew, R$ 3,90) chegou este mês às bancas do Brasil com uma diferente proposta temática. Tentando aliar a imagem à música, a série não possui personagens ou enredo fixo, mas sim, narra histórias baseadas em letras de canções conhecidas pelo público que aprecia rock, em especial o heavy metal.

Produzida por brasileiros, a revista será distribuída mundialmente em três idiomas (português, inglês e alemão). Na primeira edição, a arte de Wagner Nogueira dá vida ao roteiro de Gustavo Fiali, idealizador do projeto e ex-integrante da equipe de Maurício de Souza. Time to be Free, canção do primeiro álbum solo de André Matos (ex-vocalista das bandas Angra e Shaman), é o mote para o desenvolvimento do personagem central, um jovem que busca se libertar de íntimos demônios.

No final, uma pequena entrevista com André Matos e sua opinião sobre a interpretação da canção. Na próxima edição, é a vez de Nightwish, com Amaranth. Achei uma idéia bem original e que poderia ser estendida para outros estilos! Fiquei pensando em várias letras que seriam super legais de serem adaptadas. O que acham? Sugestões?
sexta-feira, 10 de outubro de 2008

a estréia solo de Grampá

A estréia de Rafael Grampá em vôo solo pelo universo dos quadrinhos é empolgante e, ao mesmo tempo, cruel. Ganhador do prêmio Eisner, ao lado dos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, com a antologia independente 5, Grampá lança este mês Mesmo Delivery (Ed. Desiderata, 48 págs, R$ 39,90), que narra a sinistra história de uma empresa de carregamentos.

Influenciado pelos western spaghetti, de Sergio Leone, ou pelas séries de ficção, como a americana Além da Imaginação, o ilustrador monta um cenário violento e sombrio, em cores quase monocromáticas. Os quadros de ângulos improváveis, que parecem estar em constante movimento, assim como a riqueza de detalhes dos cenários, são um atrativo à parte.

Para ilustrar uma passagem de tempo, Grampá faz uso de cartazes de propagandas, como quando o intervalo comercial interrompe um filme em uma cena de decisão. Nota-se no caldeirão de influências um quê de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino, seja nos diálogos ou na maneira como tratar a violência. Ainda sim, Mesmo Delivery mantém a originalidade e a surpresa de uma encomenda inesperada.