quinta-feira, 23 de abril de 2009

alécio de andrade e o louvre



Por quase 40 anos, o fotógrafo brasileiro Alécio de Andrade viveu em Paris, onde realizou uma importante série dedicada ao Museu do Louvre. O registro, produzido entre os anos de 1964 e 2003, acompanham a trajetória e as transformações sofridas pelo museu ao longo dos anos, além de traçar também um perfil do eclético público de um dos templos de arte mais famosos do mundo.


Parte deste acervo, cerca de 90 fotografias em preto e branco, integra a exposição O Louvre e seus visitantes, em cartaz no Instituto Moreira Salles, em São Paulo, a partir de hoje, 23 de abril. Apesar de ter passado boa parte da vida na Europa, Alécio de Andrade teve ilustres admiradores brasileiros. O que Alécio vê, poema de Carlos Drummond de Andrade, foi escrito em sua homenagem.

O que Alécio vê

A voz lhe disse ( uma secreta voz):
- Vai, Alécio, ver.
Vê e reflete o visto, e todos captem
por seu olhar o sentimento das formas
que é o sentimento primeiro - e último - da vida.

E Alécio vai e vê
o natural das coisas e das gentes,
o dia, em sua novidade não sabida,
a inaugurar-se todas as manhãs,
o cão, o parque, o traço da passagem
das pessoas na rua, o idílio
jamais extinto sob as ideologias,
a graça umbilical do nu feminino,
conversas de café, imagem
de que a vida flui como o Sena ou o São Francisco
para depositar-se numa folha
sobre a pedra do cais
ou para sorrir nas telas clássicas de museu
que se sabem contempladas
pela tímida (ou arrogante) desinformação das visitas,
ou ainda
para dispersar-se e concentrar-se
no jogo eterno das crianças.
Ai, as crianças... Para elas,
há um mirante iluminado no olhar de Alécio
e sua objetiva.
(Mas a melhor objetiva não serão os olhos líricos de Alécio?)
Tudo se resume numa fonte
e nas três menininhas peladas que a contemplam,
soberba, risonha, puríssima foto-escultura de Alécio de Andrade,
hino matinal à criação
e a continuação do mundo em esperança.

1 comentários:

Décio disse...

vi esta expo e adorei. confesso que estava ali meio que pra conferir, mas me encantei